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sábado, 1 de julho de 2017

#Solenidade de São #Pedro e São #Paulo


1ª Leitura - At 12,1-11
Salmo - Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5)
2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho - Mt 16, 13-19

Naquele tempo:
Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
Eles responderam:
"Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".
Então Jesus lhes perguntou:
"E vós, quem dizeis que eu sou?"
Simão Pedro respondeu:
"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Respondendo, Jesus lhe disse:
"Feliz es tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra
será desligado nos céus".

Palavra da Salvação.

Quem sou eu perante Deus? – Pe. João Batista Libânio, sj

Essas três leituras são tão bonitas, que não vou me deixar levar somente pela tradição de apenas explicar o Evangelho. Todas merecem uma palavrinha. Todas elas são uma grande metáfora. Eu sempre gosto de olhar sob esse aspecto.

Na primeira, aquela descrição que vocês ouviram. No fundo, uma metáfora de cada um de nós que está aqui. Quantas vezes os poderosos gostam, se divertem, prendendo, punindo, castigando, tratando mal as pessoas? A história da Igreja conheceu milhões de cristãos que sofreram isso. Simplesmente porque os poderosos quiseram. Mas quando Pedro é preso, é sustentado – frase bonita – pela oração da comunidade. De vez em quando é bom que tomemos consciência disso. Às vezes estamos atravessando uma época difícil, uma situação dolorosa. Nos sentimos sozinhos, mas não é verdade. Nunca estamos sozinhos. Mesmo que as pessoas não mencionem o nosso nome. Não é necessário isso, porque somos essa comunidade. Saibam que vocês sempre são sustentados pela oração de todos, em qualquer momento em que estiverem.

Pedro está na prisão e aí aparece um anjo. Esses anjos são as coisas mais lindas que temos na vida. Claro que não são os anjos que vem de cima. Deus não precisa mandar anjos do céu porque nos deu tantos aqui na Terra. Muitas vezes não percebemos nem descobrimos esses anjos. São aqueles que trazem uma palavra de consolo, aqueles que abrem as nossas prisões. Quantas vezes estamos presos nas nossas tristezas, na nossa dor, fechados em nós mesmos, presos por tantos apegos? Chega o anjo e abre a porta para que saiamos. Quantos estão presos na droga, na vida fútil, presos nas televisões da vida, e vem o anjo e abre a porta?! No começo não nos damos conta de que a porta foi aberta. Diz a leitura que caem as cadeias.

Aquelas cadeias que nos atavam por tanto tempo caem, simplesmente, porque o anjo apareceu. Pode ser a mãe, o pai, o irmão, um amigo, um colega, até uma pessoa estranha que, de repente, nos diz uma palavra. É o anjo que abre a porta e faz as cadeias caírem. E nós, sonâmbulos, caminhamos como Pedro. As portas da cidade se abrem, não só as da prisão. As portas da cidade, da política, que nos jogam para um mundo maior. Também se abre esta grande porta da história. Quem conhece Jerusalém, imagina aquelas grandes portas se abrindo para Pedro. E ele cai em si. Esse momento é importante, quando caímos em nós mesmos, quando tomamos consciência de que estamos sendo livres e libertados, de que há um anjo que nos está conduzindo. Deus nunca deixará de colocar anjos em nossa vida! É que, muitas vezes, não os vemos, embora Ele os coloque, e muitos.

Paulo usou uma metáfora bonita das Olimpíadas. Ele se imaginou como alguém que estava correndo, como aqueles corredores das maratonas que ele conheceu na Grécia ou em Roma. Não a maratona das Olimpíadas, para ganhar uma medalha qualquer, que ficará guardada depois daquela glória pequena de um momento e que todos irão esquecer. Quem se lembra dos vencedores das Olimpíadas de quarenta, trinta anos atrás? Paulo diz: “Essa minha medalha é eterna. Eu nunca a esquecerei”. E ninguém nunca esquecerá. Até hoje falamos de Paulo e pouco falamos das Olimpíadas gregas. Não sabemos os nomes daqueles atletas. Mas de Paulo falamos, porque a sua medalha tinha o sangue da entrega da sua vida.

O Evangelho pode ir e pode voltar. Vem Jesus e pergunta a cada um de nós: “Quem vocês dizem que eu sou?” Mas não há um lugar só para responder. Aqui, é claro que respondemos: “Você é aquele que se nos entrega na Eucaristia!” Mas e na rua, no trabalho? Em cada lugar a resposta é diferente. Não é aquela fórmula: “Tu és o Messias, o Filho de Deus!” Não! Tu és aquele que eu persigo, mas é aquele que me chama. Tu és aquele que me envia, aquele que está sempre ao meu lado. Tu és aquele que abre os meus olhos. Tu és... Há tantos “Tu és” para Jesus! Ele é tão diferente em cada momento. Muitas vezes nos prendemos às frases. O que importa é a experiência da vida, que é abundante. As frases são vazias. Que fiquem para os gramáticos e a vida fique para nós. Este “Tu és” vai nos dar milhares de respostas de quem é Jesus.

Mas eu queria deixar-lhes outra pergunta e essa eu não posso responder. Essa vocês irão responder individualmente. Se Jesus perguntasse: “Que dizes de ti mesmo? Quem és tu?” Vocês diriam logo o nome. Mas o nome é algo tão externo! Pode-se ir ao cartório e mudar, porque não gostou. Quem sabe, por exemplo, que Leonardo Boff se chama Genésio? Ninguém sabe. O nome dele é Genésio Boff, mudou para Leonardo, que é um nome tão bonito e todos o conhecem assim. Portanto, o nome não basta.

Ah, eu sou advogado, médico, engenheiro, professora, estudante, estou quase formado... É pouco. As profissões passam, ainda mais hoje. Muda-se de profissão a cada hora. Fica-se desempregado. É pouco definir alguém pela profissão. Então, como vamos nos definir? Quem somos nós? Guardem essa pergunta e respondam-na. Será que são capazes de responder quem são vocês? Quando eu estava pensando nesta homilia, me perguntava: quem sou eu? Invertam. Imaginem que o Senhor encontra cada um de vocês e faz esta pergunta: “Quem é você?”

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 2.